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Tifanny desabafa sobre proibição para mulheres trans no vôlei: ‘Estou esgotada, acabada e humilhada; fui tratada como bandida’

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (1º), durante participação na COB Expo, em São Paulo, a ponteira Tifanny Abreu se disse “esgotada”, “acabada” e “humilhada” após semanas de luta para tentar reverter a proibição imposta pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) que impediu mulheres trans de participarem de competições de vôlei feminino, como a Superliga.

De acordo com a atleta do Osasco, ela vem mantendo contato diário com a Confederação para tentar conseguir a autorização para jogar a competição, que começa no dia 17 de outubro.

Tifanny disse que mantém as esperanças de ter o “OK” para poder atuar no torneio, mas admitiu que está ficando sem forças para lutar.

“Dizer que eu não vou poder competir (na Superliga Feminina) é uma palavra muito forte, mas a gente vai lutar para competir. Porque foram 10 anos lindos, uma história linda que eu construí dentro do vôleibol brasileiro”, iniciou.

“Esse carinho do público (na COB Expo) não é à toa. Quando eu chego aqui, todos já vêm me receber com muito carinho, com muito amor. Porque foi um trabalho muito bem feito que eu fiz nesses 10 anos. Foram 10 anos que eu tenho o prazer de jogar com atletas jovens que se inspiraram em mim”, seguiu.

“Esses jovens chegam no meu time e falam: ‘Tifanny, você foi inspiração e eu estou aqui hoje porque você abriu porta para mim. Mulheres trans, mulheres cis’. É uma história que não pode acabar desse jeito. A história merece um final feliz. Então, eu vou lutar por esse final feliz, junto com meu clube”, afirmou.

“(Eu me sinto) Esgotada. Estou acabada e me sentindo humilhada”, complementou.

No momento, Tifanny está autorizada a jogar o Campeonato Paulista de vôlei, mas não conta com autorização para disputar a Superliga Feminina, que é uma competição nacional.

A atleta reclamou qeu vem sendo tratada como uma “bandida” e disse que “merece” ter a chance de jogar.

“É um momento muito difícil, porque, ao mesmo tempo que a gente tem que estar focado no nosso treinamento diário para estar competindo, ter que ouvir isso [proibição de CBV] em um meio de uma temporada não é fácil”, salientou.

“Não é fácil porque a gente precisa do nosso melhor dentro de quadra. E ao mesmo tempo a gente vem e recebe uma notícia dessa como se a gente estivesse… Como se eu fosse uma bandida. E eu não sou bandida. Eu sou uma atleta, uma atleta que inspira muitas pessoas. E eu mereço estar jogando dentro da quadra, que é o meu lugar”, acrescentou.

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