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Rui Costa diz que demitiria Crespo novamente e revela como foi negociação com Filipe Luís antes de contratar Roger no São Paulo

Executivo de futebol do São Paulo entre 2021 a 2025, Rui Costa concedeu entrevista ao GE e falou sobre decisões complexas que teve que tomar em momentos de demissões e contratações de treinadores no clube.

Questionado sobre a polêmica saída do argentino Hernán Crespo, em momento em que o Tricolor ocupava a vice-liderança do Campeonato Brasileiro, o dirigente defendeu a opção pela saída e assegurou que tomaria a mesma medida se pudesse voltar no tempo.

“Se eu tivesse os subsídios, os insumos e as percepções que eu tive com outras pessoas naquele momento, eu teria demitido. Porque as pessoas olham naturalmente o recorte da demissão, e quero deixar bem claro aqui, tenho muito respeito pelo Crespo. O Crespo várias vezes colocou de forma muito clara que não concordava com algumas coisas que estavam postas como dados de realidade. Ele queria contratações, achava que o time não podia evoluir, defendia muito essa dificuldade do São Paulo de ser protagonista e ter um ano difícil, e obviamente que toda vez que alguém projeta cenários adversos a chance de acertar é muito grande, sobretudo no futebol”, iniciou.

“Eu estou preparado para ouvir no final do ano: ‘Viu como o Crespo tinha razão, e o Rui não?’. Mas eu, como dirigente, tenho que ter comandantes que inspirem as pessoas. Que vai no Morumbi tem que acreditar que é possível. Esse é o clube onde eu estava. Essa é a noção de pertencimento”, seguiu.

“Eu entendo que o Crespo falava isso para proteger talvez até os jogadores. Mas a repetição constante de uma máxima de que não era possível e questões internas que a gente conversava de necessidade de contratação, porque em algum momento se prometeu ele contratações e eu não as prometi. Em algum momento, houve uma dissintonia e o trabalho na segunda etapa do Campeonato Brasileiro de 2025 e no Campeonato Paulista era questionável, do ponto de vista não da atitude profissional dele”, argumentou.

“Repito: é um ser humano, uma das melhores pessoas que eu convivi no futebol. Mas eu teria tomado a decisão, se os mesmos fatos tivessem acontecido, eu teria feito a mesma coisa. Talvez eu tivesse sido um pouco mais hábil na construção de algo que hoje seria muito favorável: deixar que as coisas acontecessem, para que os resultados me dessem legitimidade”, complementou.

Filipe Luís e Roger Machado

Na entrevista, Rui Costa também revelou como foram as negociações com Filipe Luís, que tinha acabado de ser demitido pelo Flamengo, para assumir o São Paulo.

As conversas acabaram não avançando, e o Tricolor apostou na sequência em Roger Machado, que durou pouco no Morumbis.

“Quando se entendeu que havia necessidade de troca, o Roger não foi o primeiro nome (pensado). E era natural que não fosse porque nós sabíamos que a rejeição seria muito grande. E o nome que se falava era do Filipe Luís. Mas como falar com o Filipe Luís estando o Crespo empregado? Não era do nosso feitio. Então, uma vez que o Crespo não estava mais vinculado, nós fizemos uma conversa com o Filipe”, relatou.

“O Filipe não estava em clube nenhum. E nós conversamos com ele para entender o que queria. Conversamos demoradamente, um cara extraordinário. E ele mostrou entusiasmo com a questão do São Paulo. Mas relatou que ele tinha vivido um momento difícil de saída do Flamengo”, contou.

“Eu fiquei encantado conversando com ele, estou revelando isso agora não como uma forma de desvalorizar a contratação do Roger, porque eu defendi a contratação do Roger. Mas era impossível ter resultados naquele ambiente que ele estava, como forma de isentá-lo dessa responsabilidade”, salientou.

“Nós tínhamos um nome que talvez fosse muito mais palatável, muito mais revelador de ousadia e que me colocaria em um patamar de popularidade de ter contratado aquele que foi dispensado sendo multicampeão. Quando o Filipe, de forma muito clara, nos deixa a impressão de que levaria muito tempo para tomar a decisão, tempo que nós não tínhamos, vários nomes foram considerados”, complementou.

Roger contratado por amizade?

O executivo de futebol ainda negou de forma veemente que tenha contratado Roger após o “não” de Filipe Luís por sua relação de amizade com o treinador gaúcho.

“Nunca faria isso, nunca fiz na minha carreira. Eu já até trabalhei com treinadores por quem eu não nutria uma relação que não fosse profissional. Depois do Grêmio, nunca mais tinha encontrado o Roger pessoalmente, a não ser em um restaurante nesse período de férias. Fui uma vez na casa do Roger quando fui contratá-lo para o Grêmio. Dessa vez nem isso eu fiz. O Roger nunca foi na minha casa, nunca fiz churrasco com o Roger”, assegurou.

“Mas eu tenho muito orgulho de dizer que trabalhei com o Roger, porque ele é um grande treinador. Ele é um grande caráter. Ele é um cara que, infelizmente, teve a passagem pelo São Paulo prejudicada por um gesto meu. E não dele. Ele herdou uma intolerância que na minha avaliação tem muito a ver com quem ele substituiu”, finalizou.

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