De vôlei com barrigão de seis meses ao medo da volta: a dupla jornada de Pri Heldes e o 1º Dia das Mães da levantadora do Fluminense
Para o mundo, a imagem era impactante: uma levantadora de elite, em meio a um jogo de Superliga, ostentando uma barriga de seis meses que desafiava a lógica do esporte de alto rendimento. Para Priscila Heldes, porém, aquele era o lugar mais seguro do mundo. Enquanto o vídeo dela viralizava e “estourava a bolha” da internet, Pri Heldes vivia uma harmonia silenciosa entre o domínio das quadras e a vulnerabilidade de gerar uma vida.
Neste Dia das Mães, o primeiro que ela celebra com o pequeno Emanuel nos braços, a trajetória dela não é apenas sobre recordes e estatísticas, mas sobre o renascimento de uma mulher que descobriu que o uniforme de atleta e o papel de mãe não se anulam, eles se fortalecem.
O tabu e o amparo
A descoberta da gravidez trouxe, inicialmente, o receio que assombra tantas atletas: como o clube reagiria? O esporte, muitas vezes rígido, ainda vê a maternidade como um hiato. Mas, no Fluminense, Pri encontrou o oposto do silêncio.
“No meu momento mais vulnerável, o Flu me amparou. Eles me deixaram tranquila para ser atleta e ser mãe ao mesmo tempo”, relembra.
Com essa paz de espírito, ela jogou. Sentia “bombas de energia” nos três primeiros meses e, mesmo quando o cansaço batia pesado após cinco sets, a quadra continuava sendo seu domínio. “Eu tinha mais medo de andar na rua do que de jogar. Ali eu domino tudo”, conta.
O desafio do espelho e o medo da volta
Se a gestação foi um período de plenitude, o pós-parto trouxe o desafio da reconstrução. Priscila confessa que não se reconhecia no novo corpo. A fome da amamentação, a mudança na silhueta e a incerteza sobre a performance criaram uma insegurança real: será que eu ainda sei ser a Pri Heldes atleta?
O retorno aos treinos, quando Emanuel tinha apenas três meses, foi uma necessidade física e mental. Entre uma série de musculação e outra, lá estava o carrinho de bebê ao lado da quadra. O preparador físico Robertinho e as companheiras de equipe tornaram-se a “rede de apoio” essencial.
“Voltar a treinar com bola me fez lembrar que ainda existe a Priscila atleta. Eu não sou só a mãe do Emanuel. É avassalador o que acontece internamente, e sentir que eu ainda sei jogar vôlei, que eu amo fazer isso, me deu o gás que eu precisava”, relata.
A maior motivação: memórias vivas
A pergunta que ecoava na cabeça de Priscila após o nascimento de seu primogênito era: “Será que vou perder tempo com ele se voltar a jogar?”, mas que logo foi substituída por um propósito maior. Ela não quer que o filho conheça sua história apenas por vídeos antigos ou relatos de terceiros.
A motivação de Pri para a próxima temporada tem nome: Emanuel. Ela quer que ele esteja no ginásio, que sinta a vibração da torcida e que veja, com os próprios olhos, a força da mãe.
“Quero que ele tenha memórias minhas jogando. Que ele veja o trabalho da mãe e entenda o quanto o esporte é importante. Daqui a pouco, vou mostrar os vídeos dele na minha barriga, em quadra, e dizer o quanto foi especial viver aquilo com ele”, Pri confessa emocionada.
Um coração dividido (só no campo)
Neste domingo de Dia das Mães, a rotina de Pri é um reflexo da “dupla jornada” que ela abraçou com orgulho. Em casa, o clima é de Fla-Flu: o marido, Wesley Castro, defende o basquete do Flamengo; ela, o vôlei do Fluminense. O pequeno Emanuel, por enquanto, segue a diplomacia do amor: veste o rubro-negro para torcer pelo papai e o tricolor para vibrar pela mamãe.
Para Pri Heldes, o melhor troféu já foi conquistado: a certeza de que a maternidade não foi o fim da sua carreira, mas o início de sua fase mais potente e inspiradora.
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