1 dia para a NBA: New York Knicks mantém elenco vencedor visando um bicampeonato inédito na década
Chegou a hora do atual campeão, New York Knicks. Com uma das melhores campanhas nos playoffs em toda a história da liga, os Knicks chegam para a próxima temporada com uma moral muito maior da que começaram o último ano. E não só a franquia, mas todos os jogadores também, uma vez que praticamente todo o elenco segue na equipe.
Mas a NBA não está em uma fase propícia para dinastias. Nos últimos oito anos, foram oito campeões diferentes, um recorde histórico na competição. Serão os Knicks o time a quebrar essa sequência, mesmo em uma Conferência Leste super reforçada?
Como foram os Knicks na última temporada
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Campanha: 53 vitórias e 29 derrotas
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Classificação: 3º lugar na Conferência Leste
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Nos playoffs: campeão da NBA vencendo o San Antonio Spurs na decisão por 4 a 1; antes disso, passou por Atlanta Hawks (4 a 2) na primeira rodada, Philadelphia 76ers (4 a 0) na segunda e Cleveland Cavaliers (4 a 0) na final de conferência
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O que aconteceu: os Knicks tiveram uma campanha estável desde o início da temporada. Embora não fossem um basquete super dominante como emplacaram nos playoffs, conseguiram alternar entre a segunda e terceira posição da Conferência Leste ao longo de toda a campanha. Nos playoffs, começaram perdendo por 2 a 1 para o Atlanta Hawks, mas promoveram mudanças táticas que encaixaram melhor que o esperado, deslanchando a partir de então. Classificações tranquilas contra 76ers e Cavs, até a série contra os Spurs. Apesar do placar de 4 a 1, precisavam de viradas heroicas para vencer alguns jogos, mas tudo deu certo no final, e a franquia saiu de um jejum de 50 anos sem títulos, levando a cidade de Nova Iorque à loucura.
O elenco dos Knicks para a temporada 2026/27
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Escolhas de Draft: Tyler Nickel (ala, 47ª escolha)
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Quem mais chegou: Andre Drummond (pivô – Philadelphia 76ers) e James Wiseman (pivô – sem time)
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Quem foi embora: Mitchell Robinson (pivô – Boston Celtics), Jeremy Sochan (ala-pivô – sem clube) e Ariel Hukporti (pivô – Philadelphia 76ers)
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Provável time titular: Jalen Brunson, Josh Hart, Mikal Bridges, OG Anunoby e Karl-Anthony Towns
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Reservas: Jose Alvarado, Jordan Clarkson, Miles McBride, Tyler Kolek (armadores), Landry Shamet (ala-armador), Pacome Dadiet, Kevin McCullar Jr., Tyler Nickel (alas), Mohamed Diawara (ala-pivô), Andre Drummond e James Wiseman (pivôs)
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Técnico: Mike Brown
O clima para a temporada
Difícil ter um clima melhor em toda a NBA que o dos Knicks. Afinal, é a única franquia que começa a temporada com a sensação de dever cumprido. Além disso, o elenco, que tirou uma das torcidas mais presentes em toda a liga de um jejum de 50 anos, ficou praticamente intacto.
Das três saídas, apenas a de Mitchell Robinson tem impacto real em quadra. O pivô, porém, estava no último ano de contrato, e uma renovação após o título certamente seria num valor mais alto ao que recebia até então. Assim, não querendo aumentar a folha salarial, nem entrar na 2nd apron (último patamar do teto salarial, com as maiores taxas e multas possíveis), os Knicks não renovaram com o pivô.
Em seu lugar chegou Andre Drummond, que pode não ser tão querido pelos companheiros e torcida quanto Robinson, jogador há mais tempo no elenco até então, mas que tende a manter o nível em quadra. Além dele, James Wiseman também foi contratado após praticamente dois anos fora por lesão.
Por mais que a Conferência Leste esteja bem mais forte, salvo uma campanha desastrosa dos Knicks, o elenco e comissão têm crédito e apoio da torcida, ao menos por esse ano, enquanto podem se gabar de serem os atuais campeões. Além disso, alguns nomes do plantel atingiram outro patamar na NBA, especialmente Jalen Brunson, que agora senta à mesa dos principais nomes da competição.
E se o título, por si só, já é motivação suficiente, New York ainda tem uma extra: não houve bicampeões nessa década. Mesmo campeões muito dominantes, como o Oklahoma City Thunder de 2025 e o Boston Celtics de 2024 falharam em repetir a dose. A bola da vez está com os Knicks.
Mas se existe algo que pode quebrar o clima, por enquanto, é a renovação de contrato de Karl-Anthony Towns. O pivô tem mais dois anos no acordo, sendo que 2027-28 é uma player option, quando o jogador escolhe se exercerá, ou não, o último ano de contrato, por US$ 57 e US$ 61 milhões, respectivamente.
Contudo, já poderia assinar uma extensão, aumentando seu vínculo com a equipe e aumentando a remuneração. Mas após não chegarem a um acordo, os Knicks suspenderam as negociações. Qual será o clima de Towns em quadra e nos bastidores?
Abre aspas
“Eu já deixei claro que quero jogar aqui. Sou um torcedor dos Knicks desde garoto. Gostaria de assinar uma extensão, é claro. Gostaria de resolver isso para daí poder entrar em quadra e me sentir o mais confortável possível.”
A declaração é de Karl-Anthony Towns, que já poderia ter assinado uma extensão de contrato com os Knicks no valor de US$ 276 milhões por quatro anos. Mas, por questões financeiras, a direção da franquia resolveu suspender todas as negociações envolvendo novos contratos.
Uma esperança
A campanha histórica dos Knicks nos últimos playoffs foi um misto de eficiência fora do normal, atuações individuais apoteóticas e um novo jeito de utilizar Karl-Anthony Towns. É aqui que vamos focar.
Ao longo das séries, o pivô foi cada vez mais usado na cabeça do garrafão ou no perímetro e com a bola nas mãos. Ali, quando não houve a possibilidade de arremessar, ele distribuiu o jogo quase como um armador. Daí para a imprensa americana chamá-lo de “point-center”, foi um pulo.
Para gerar espaços, OG Anunoby, Mikal Bridges e Josh Hart faziam uma série de bloqueios fora da bola uns para os outros – e também para Jalen Brunson. E Towns, com muita qualidade no passe, conseguia encontrar os companheiros que aproveitavam o vazio no garrafão, ou na zona morta, deixado justamente pelo marcador de KAT. Não à toa, subiu de 3 assistências na temporada regular para 4,9 nos playoffs.
A estratégia foi mais eficiente na série contra o Atlanta Hawks, a única em que os Knicks ficaram atrás no placar durante a histórica corrida rumo ao título. Mas nas demais a variação no ataque de New York também funcionou.
É bem verdade que não foi a primeira vez na carreira que Towns atuou dessa maneira. Contudo, nunca foi utilizado com tanta frequência. Para a próxima temporada, em que vários rivais da Conferência Leste se reforçaram, e os Knicks tendem a ser mais estudados pelos oponentes, ter essa possibilidade de jogo tende a ser muito útil para o treinador Mike Brown.
Um medo
Para um time campeão, a única mudança possível é perder o posto. Nos Knicks, por enquanto, não há um grande motivo que possa levar a isso, mas sim vários pequenos medos.
Já faz um tempo que a NBA não tem um campeão repetido. A última vez foi com o Golden State Warriors, em 2017 e 2018. A estatística joga contra os Knicks, ela ajuda a mostrar o tamanho do desafio que será a defesa do título.
O time se mexeu bastante lá atrás para montar a base do elenco campeão, e o fato de o título ter sido conquistado já fez com que as apostas tenham valido a pena. Mas olhando daqui para frente, a coisa parece complicada. Os Knicks não têm muita flexibilidade financeira, tanto que perderam Mitchell Robinson, ao mesmo tempo em que outros concorrentes do Leste se reforçaram em peso. A briga na conferência promete ser a mais pesada e nivelada por cima dos últimos anos.
Por isso, não pode haver ressaca de campeão. A intensidade tem que ser alta desde o começo, pois um pequeno atraso já pode ser fatal na briga por uma boa posição na temporada regular, dado que a concorrência melhorou.
Além disso, ainda há a questão envolvendo as renovações contratuais, principalmente a Karl-Anthony Towns. É uma decisão que não deve ter caído bem para quem esperava um desfecho rápido e que pode virar um problema num piscar de olhos.
O cara
MVP das finais de 2026 e motor ofensivo deste time já há algum tempo, Jalen Brunson continua ocupando o posto de principal jogador dos Knicks.
Na temporada passada, o armador foi o cestinha e principal definidor de jogadas do time, com 26,0 pontos em 19,9 finalizações por jogo. O aproveitamento em bolas de três sofreu uma leve queda em relação aos anos anteriores, mas o índice de 36,9% ainda o coloca como uma ameaça nestes arremessos. Além disso, ele registrou ainda 6,8 pontos e 3,3 rebotes por partida.
São números que o levaram ao All-Star Game pelo terceiro ano consecutivo e o colocaram no segundo quinteto ideal da NBA. Nos playoffs, subiu o nível e liderou o time durante a caminhada ao título, especialmente em retas finais de jogos apertados ou em viradas impressionantes.
Quando os Knicks mais precisaram de uma resposta em situações difíceis que não ofereciam margem para erro, Brunson apareceu. Não à toa, já aparece nas conversas sobre os maiores jogadores da história da franquia.
Também vale a pena ficar de olho
O simples fato de ser uma outra estrela deste elenco já justificaria a escolha de Karl-Anthony Towns por aqui. Na temporada passada, teve médias de 20,1 pontos, 11,9 rebotes e 3,0 assistências por partida. Na carreira, tem quase 40% de aproveitamento nos arremessos de três pontos.
É um desafogo para o ataque ao lado de Jalen Brunson por sua capacidade de converter arremessos. Além disso, vem se destacando cada vez mais nos últimos tempos também pela atuação como distribuidor de passes, com boa leitura e precisão para fazer a bola chegar em companheiros que se movimentam ao seu redor.
Mas vale também uma atenção especial em torno dele no outro lado da quadra. Ao longo da caminhada dos Knicks para o título, até mesmo na decisão, Towns mostrou bons momentos como defensor perto e até longe da cesta, com paciência para tomadas de decisão e disciplina para não cair em dribles. Nos momentos em que apresentou queda, seja por desatenção ou por acúmulo de faltas, algo com o que ele ainda continua lidando, havia Mitchell Robinson para fazer o trabalho, então os Knicks não sofriam tanto.
Agora não tem mais Robinson, que se mandou para Boston. A carga em cima de Towns vai ficar mais pesada. Capacidade para entregar boa defesa ele já mostrou em alguns momentos ao longo do último ano, mas agora os Knicks precisam muito que isso seja mais consistente. Será um grande desafio para ele.
Grau de apelo para o telespectador – de 1 a 5
4 (alto) – São os atuais campeões, e naturalmente vai ter um monte de time no meio do caminho com motivação extra para enfrentá-los. O estilão dos Knicks a gente já conhece, seja com Brunson inventando espaços no ataque no mano a mano, seja com Towns distribuindo passes para quem está em volta. Não tem muito erro aqui. O fã de basquete vai sempre ter algo para prestar atenção quando se deparar com um jogo dos Knicks.
Palpite para a temporada 2026/27 dos Knicks
No cenário mais otimista: o que seria melhor do que ganhar duas vezes seguidas? Na situação dos Knicks nem é caso de ser otimista demais. Embora não seja nada simples, e uma volta aos playoffs não tenda a ter placares tão elásticos quanto nas primeiras séries, New York pode se manter no topo da NBA.
No cenário mais pessimista: sem tanto estímulo para a temporada regular e com atritos na renovação de contrato de Karl-Anthony Towns, os Knicks sofrem com a concorrência na Conferência Leste. Até voltam aos playoffs, mas não vão muito longe. A alta folha salarial começa a pesar, e a diretoria terá que fazer escolhas difíceis para 2027/28.
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