Emprego cresce no agronegócio e bate recorde em 2025, mas tensões globais acendem alerta para 2026
Confederação Nacional da Agricultura e Cepea dizem que setor registrou 28,4 milhões de trabalhadores no ano passado
Dados da CNA e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostram que o número de pessoas ocupadas no setor agropecuário cresceu 2,2% em 2025 em relação a 2024. O número corresponde a cerca de 601 mil pessoas.
O levantamento mostra que o setor representa 26,3% na geração total de emprego no país. Os dados, considerados otimistas por integrantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, dão conta ainda de que os empregos com carteira assinada cresceram 4,6%.
Para Isabel Mendes, assessora técnica da CNA, o resultado mostra a resiliência do produtor rural. “O setor vem operando sob forte pressão de custos, com juros elevados, restrições de crédito e condições climáticas adversas. Ainda assim, tem mantido a produção, muitas vezes à custa de maior endividamento e redução de margens”.
O mercado tem exigido mão de obra mais qualificada. Houve um aumento de 8,3% na participação de trabalhadores com ensino superior. Na mesma demanda de mercado, a participação das mulheres no agronegócio vem crescendo.
No ano passado foi registrado um aumento de 2,6% na mão de obra feminina. A assessora técnica da CNA fala em uma ampliação de oportunidades. “A participação feminina no agronegócio vem crescendo de forma consistente, refletindo tanto o maior interesse das mulheres pelo setor quanto a ampliação das oportunidades em diferentes atividades, dentro e fora da porteira.”, declarou. “Observa-se cada vez mais a maior presença feminina em funções técnicas, de gestão e em posições de liderança”, acrescentou.
Outro dado positivo foi a massa salarial, que cresceu 7,2%. Mas os recentes acontecimentos na economia global acendem alerta para as perspectivas deste ano. Isabel Mendes, assessora técnica da CNA, afirma que as tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos já afetam os preços de insumos, custos logísticos e condições de mercado.
Mendes ressalta que as incertezas políticas e econômicas em âmbito doméstico também preocupam. “Esse contexto tende a dificultar a tomada de decisão, o planejamento produtivo e pode comprometer a viabilidade econômica de algumas atividades, com possíveis reflexos sobre o emprego no setor.”, explicou. “Além disso, a expectativa é de um crescimento menor do setor em 2026 em relação a 2025, somado à manutenção de custos elevados de produção”, finalizou.

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