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Brasileiro estreia por Benim e simboliza reconexão histórica

Na mesma semana em que a ONU classificou a escravidão como o maior crime contra a humanidade, a trajetória de um jogador brasileiro cruzou o Oceano Atlântico em sentido inverso ao da história. Nesta sexta-feira (27), Felipe dos Santos estreou pela seleção de Benim.

O meia-atacante foi titular na equipe comandada pelo técnico alemão Gernot Rohr no amistoso contra a Libéria, disputado no estádio Mohamed V, em Casablanca, no Marrocos . E não apenas participou: foi um dos destaques na vitória por 1 a 0.

“Foi uma sensação muito boa. Ouvir o hino pela primeira vez, representar outra nação. Foi apenas o início de muitos jogos que virão pela frente”, afirmou Felipe em entrevista exclusiva à ESPN.

Entre os séculos XVI e XIX, cerca de 5 milhões de homens e mulheres africanos foram levados à força para o Brasil e escravizados. Séculos depois, o movimento começa a encontrar caminhos de retorno – ainda que simbólicos.

Desde 2024, o Benim concede nacionalidade a afrodescendentes com ancestrais da África subsaariana, especialmente descendentes de pessoas deportadas durante o tráfico negreiro. No mesmo ano, o país assinou acordo de cooperação cultural e de pesquisa com o Brasil.

Na ocasião, o presidente beninense, Patrice Talon, se encontrou com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. “O Benim abriga uma das maiores comunidades de retornados do continente, repleta de Souzas, Silvas, Santos e Carvalhos. Aqueles que aqui permaneceram fincaram raízes em nossa identidade, transformando o Brasil no terceiro país com maior população negra no mundo”, disse Lula à época.

A federação beninense passou a buscar jogadores com essa ascendência. Até então, todos os convites haviam sido recusados. O contato com Felipe Silva Corrêa dos Santos surpreendeu o brasileiro de 29 anos, revelado no Palmeiras e hoje no Araz-Naxçıvan, do Azerbaijão.

“O convite veio no início do ano passado. Fiquei meio sem entender, porque nunca tinha ouvido falar do Benim. Perguntei que vínculo eu tinha para me naturalizar beninense. Então me explicaram que me localizaram pelo meu nome, Silva Corrêa dos Santos, com forte ascendência beninense”, relembra. “Disseram que não queriam montar uma seleção B do Brasil, mas encontrar um brasileiro para fazer essa conexão com as raízes africanas”.

A primeira convocação aconteceu em 2025, mas uma lesão na panturrilha interrompeu o processo. Felipe não pôde ajudar a equipe na reta final das eliminatórias africanas para a Copa do Mundo, em que Benim acabou eliminado na última rodada. Depois, o mesmo problema físico também o tirou da Copa Africana de Nações, cortado da lista final.

Agora, totalmente recuperado, ele finalmente deu o passo que parecia destinado a acontecer. Estreou, foi bem e já olha para frente: na terça-feira (31), enfrenta a Guiné, novamente em Marrocos. “Os jogadores ainda estão entendendo minha movimentação, como eu gosto de jogar, e eu também estou tentando entendê-los”.

O entrosamento virá com o tempo. O significado já está presente desde o primeiro minuto.

Com a Copa do Mundo de 2030 no horizonte, Felipe passa a integrar um projeto esportivo, mas também algo maior. Ao vestir a camisa de Benim, não representa apenas uma nova seleção. Reconecta uma história que jamais pode ser esquecida.

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Créditos Imagens: Reprodução Internet

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