Expedição da Seagri mapeia campos em Ibicoara para estruturar cadeia produtiva da mangaba
Foto: Tiago Dantas/Seagri
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), em parceria com a Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), iniciou, na terça-feira (12), uma expedição em Ibicoara para mapear os campos nativos de mangaba e estruturar a cadeia produtiva da fruta na Chapada Diamantina. O trabalho reúne o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Secretaria Municipal de Agricultura, com um objetivo central: transformar o potencial extrativista da espécie em geração de renda para produtores da região.
Extrativistas e agricultores do município já demonstram interesse em explorar economicamente a mangaba, nativa da Chapada, com presença expressiva nos campos locais e forte identidade cultural entre as comunidades. “O objetivo do mapeamento é garantir que os produtores rurais possam explorar a fruta de forma sustentável e econômica nos próximos anos”, explica o gerente-adjunto da Flem, Paulo Sergio Ramos.
“A questão é organizar a comunidade e trazer infraestrutura e recursos para as coisas avançarem”, aponta o empreendedor rural Paulo Gonzaga. Para ele, a abundância da fruta na região é o ponto de partida, e o desafio está em estruturar o setor para transformar a mangaba em negócio.
Um dos caminhos apontados pela expedição é o processamento agroindustrial. O diretor de políticas agrícolas de Ibicoara, Neto Rocha, alerta que a mangaba não se conserva para transporte de longa distância in natura. “O processamento é uma alternativa para garantir maior durabilidade do fruto e agregar valor à produção”, diz.
Para o pesquisador Josué Francisco Junior, da Embrapa Pernambuco, a mangaba tem relevância econômica e cultural na Chapada Diamantina. Ele ressalta que a demanda pelo resgate da espécie parte dos próprios produtores e extrativistas locais.
A Bahia é um dos estados com maior ocorrência natural de mangabeiras, sobretudo no litoral e em áreas de transição entre Mata Atlântica e Caatinga, onde o extrativismo ainda sustenta milhares de famílias. No entanto, a produção real costuma ficar subestimada em razão da informalidade e da dificuldade de mensuração em áreas de mata nativa.
Fonte: Ascom/Seagri

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