Boné rosa, moletom e câmeras: como a polícia concluiu a investigação do caso Orelha
Polícia Civil pediu a internação do adolescente responsável pela morte do animal, e três adultos foram indiciados por coação a testemunhas
A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do Cão Orelha, em Santa Catarina. Para chegar à autoria dos crimes, foi montada uma força-tarefa que envolveu as forças de segurança do Estado, responsáveis por identificar dez pontos-chave que levaram a polícia ao autor.
Um adolescente teve o pedido de internação solicitado pela polícia, e três adultos foram indiciados por coação a testemunha.
Delegada Mardjoli Valcareggi – Delegacia de Proteção Animal (DPA) da Capital – Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
Confira os 10 pontos que levaram à identificação do autor do caso Orelha
1 – Testemunhas do dia e local
Foram 24 testemunhas ouvidas, 8 adolescentes suspeitos investigados, além de provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens.
2 – Confirmação através de imagens de que as testemunhas estavam no local e horário
Para chegar ao autor do crime, a Polícia Civil analisou mais de 1 mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens.
3 – Análise de geolocalização do telefone do autor através de software francês
Um software francês obtido pela Polícia também analisou a localização do responsável durante o ataque fatal ao Cão Orelha.
4 – Confirmação através de câmeras de que o autor estava no local e horário
As provas também incluem imagens de câmeras de segurança que mostram o adolescente circulando pela região durante a madrugada de 4 de janeiro. Os registros reforçam que ele esteve fora do condomínio onde residia naquele horário.
Câmeras mostram o adolescente indiciado por agressões ao cão Orelha saindo e voltando de condomínio no dia 4 de janeiro — Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
5 – Contradição e mentira no depoimento do adolescente sobre sua localização
O desenrolar dos fatos inicia às 5h25 da manhã, quando o adolescente sai do seu condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã ele retorna para o condomínio com uma amiga. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento.
6 – Confirmação da portaria eletrônica do prédio do horário e saída do adolescente
O adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio.
7 – Boné rosa utilizado no dia do crime em posse do autor
O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso e ficou no exterior até o dia 29 de janeiro. No retorno, ele foi interceptado pela polícia ao chegar no aeroporto. Naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente. O boné foi apreendido e identificado como o mesmo usado no dia do crime.
8 – Moletom utilizado no dia do crime em posse do autor
A identificação de um moletom usado pelo adolescente também foi uma peça importante da investigação. Um familiar do autor tentou justificar a compra da peça durante uma viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já a possuía e que o moletom foi utilizado no dia do crime.
9 – Coação por parte de familiares do autor contra testemunhas
Durante a investigação, a Polícia Civil também identificou tentativas de coação a testemunhas por familiares do adolescente. Segundo a Delegacia de Proteção Animal (DPA), três adultos foram indiciados por interferir no andamento do processo.
Familiares do adolescentes são indiciados por coagir testemunha na investigação da morte do animal — Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
10 – Software israelense que recupera dados apagados nos celulares dos investigados
A investigação contou ainda com o uso de um software israelense para a extração e recuperação de dados de celulares apreendidos.
Risco de fuga
Durante a investigação, a Polícia Civil teve o desafio de evitar vazamentos sobre o que estava sendo apurado. Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia fugir ou descartar elementos que comprovaram a autoria, como o celular.
A investigação seguiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi concluída após o depoimento do autor, durante esta semana. Diante dos elementos e provas, a Polícia Civil finalizou os procedimentos policiais dos casos Orelha e encaminhou para apreciação do Ministério Público e Judiciário.
Por conta da gravidade do caso Orelha, a Polícia pediu a internação do adolescente, que é equivalente a uma prisão para um adulto.
O cão Orelha pertencia à comunidade de moradores de Praia Brava, em Florianópolis, em Santa Catarina.

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