OPINIÃO: Japão promete testar capacidade de controle da Seleção
Em maio de 2025, em sua apresentação como treinador da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti explicou como enxergava a personalidade do time sob seu comando. “Não gosto de treinar um time que tenha apenas uma identidade, porque isso significa que você só é capaz de fazer uma coisa. Se você quer ter êxito, tem que fazer muitas coisas bem. [ser] Propositivo, reativo, pressionar bem, defender alto, defender com bloco baixo… A clara identidade eu não quero, porque te descobrem rápido”, declarou. Recentemente, após a estreia do Brasil na Copa do Mundo, o técnico italiano repetiu a mesma ideia num momento de pressão máxima por causa do desempenho da Seleção contra Marrocos.
Mesmo observando que o time que Ancelotti queria trazer ao Mundial foi prejudicado por lesões e que há momentos em que um treinador precisa agir a partir do que está disponível, as demais partidas da fase de grupos da Copa mostraram uma equipe que prefere recuperar a bola a mantê-la. Talvez seja um desejo de Ancelotti, uma adaptação às características dos jogadores – sobretudo os meio-campistas – ou ambos, mas é notável que o Brasil quer ter a bola em situações e locais em que possa causar mais dano, em vez de entender a posse como uma ferramenta de desorganização do adversário. Por coerência, deve-se concluir que essa escolha não significa que o time não saiba jogar de outra maneira. A segunda-feira pode oferecer mais detalhes.
O futebol de transições praticado pela seleção japonesa promete testar o time de Ancelotti em sua capacidade de determinar a dinâmica do jogo. O Japão gosta do ritmo acelerado, da troca de posses, das oportunidades que resultam de certa desordem. Essas condições não só favorecem o time japonês como são perigosas para o Brasil, que ainda procura solidez defensiva. Se as imagens da primeira metade do primeiro tempo contra Marrocos ainda produzem sensações desconfortáveis para quem viu, imagine para quem as experimentou no gramado. O meio de campo brasileiro, exposto pelos marroquinos, foi reajustado por Ancelotti para um triângulo em que Casemiro atua protegido por dois jogadores, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá, à sua frente. Um bom jogo da Seleção depende dessa estrutura, isto é, claro, se a formação for mantida na segunda-feira, em Houston.
Essa, porém, é só uma parte da equação. A imposição de um jeito de jogar – embora seja possível fazer isso por intermédio de certos tipos de defesa – se dá mais frequentemente pelo controle de ações que a posse da bola oferece. Veremos, primeiro, se o Brasil tentará utilizar essa ferramenta para que o jogo tenha o ritmo que lhe interessa, e depois, mais importante, se conseguirá. Significaria não só uma mudança de postura em relação ao que se viu até agora, mas principalmente uma confirmação prática do que Ancelotti declarou há pouco mais de um ano: a capacidade de interpretar diferentes tipos de futebol.
Onde assistir à Copa do Mundo?
Todos os jogos da Copa do Mundo terão transmissão ao vivo da CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+.
Este conteúdo não reflete, necessariamente, a opinião da ESPN.
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