Raphinha: o ‘sobrinho’ de Ronaldinho que rodou a Europa antes de virar 11 do Barcelona e da Seleção
Um era uma criança que mal entendia o que se passava a sua volta, mas tratava a bola como um amigo inseparável. O outro, também bem jovem, aprontava com ela nos pés e permitia que o Brasil todo soltasse um grito de campeão que nunca mais se repetiu. Duas histórias paralelas que colidem fora do futebol, mas que têm o esporte como ligação inquebrável.
Na semana que antecede a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, a ESPN publica histórias de vida de jogadores convocados por Carlo Ancelotti. O personagem do texto a seguir é Raphinha, destaque do Barcelona e que, com a 11 que ele conhece tão bem, tenta repetir o que um ídolo e amigo vestido com o mesmo número conseguiu no passado.
Em junho de 2002, Raphinha era um garoto de cinco anos que, sentado na frente da televisão em Porto Alegre, admirava um certo camisa 11 brilhar no Japão. Este era Ronaldinho Gaúcho, talento forjado na base do Grêmio e que era amigo da família Belloli.
Rafael Ribeiro Belloli, pai de Raphinha, era músico e integrava a banda Sampa Tri. Conhecia Ronaldinho desde que o jovem explodiu vestido de tricolor e mudou-se para a Europa. A cada confraternização do craque, em Paris ou Barcelona, Rafael batia ponto ao lado da família.
“Ronaldinho era amigo da família, do meu marido”, conta Lisiane Belloli, mãe de Raphinha, em entrevista exclusiva à ESPN. “O Rapha frequentava a casa [do Ronaldinho]. Eles têm uma foto juntos, de criança ainda”.
A amizade seguiu. Ronaldinho saiu da Europa, voltou ao Brasil para ganhar a CONMEBOL Libertadores pelo Atlético-MG, teve uma aventura no México e encerrou a carreira em 2015, em uma breve passagem pelo Fluminense. Um ano depois, começava a trajetória do fã.
Raphinha deixou a base do Avaí em 2016 para tentar a sorte em Portugal. Defendeu o Vitória de Guimarães até chamar atenção do Sporting. Depois, uma mudança para o Rennes, da França, seguida da transferência para o Leeds United. De lá, enquanto alguns gigantes começaram a arregalar os olhos para o brasileiro, Ronaldinho apareceu para dar uma assistência.
“Gostaria muito que o Raphinha viesse (para o Barcelona). Se tiver que vir para o Campeonato Espanhol, que venha para o Barça. É um amigo, o conheço há muito tempo e tem muita qualidade”, avalizou o ídolo da Catalunha, tão amigo do pai de Raphinha que chegou até a botar voz em algumas canções da banda.
A dica funcionou. Raphinha trocou o frio do norte da Inglaterra pelo calor de Barcelona. O resto é história, escrita com gols, grandes jogadas, títulos e idolatria em um clube com DNA tipicamente brasileiro.
“Quando eu vejo meu filho chegando perto de tudo que o Ronaldo conquistou…”, emociona-se a mãe. “Meu marido me diz: você não tem noção, não é?”.
A camisa 11 que consagrou Ronaldinho no pentacampeonato de 2002 também tem outro significado para Raphinha. Foi com ela que Neymar deixou o pequeno gaúcho vidrado com suas jogadas acrobáticas pelo Santos e também no Barça. Uma idolatria que virou parceria na Seleção Brasileira.
“A juventude dele foi o Neymar, né? E ele chegar lá e ter contato… Ele já conhecia o Ronaldo, que é praticamente tio dele. Agora encontra o Neymar, que se torna amigo. Cara, esse mundo é muito louco”, diverte-se Lisiane, que, por tabela, também virou fã do astro pelo carinho com o filho no começo de trajetória pela Seleção.
“As pessoas podem falar o que quiserem, mas eu não esperava isso desse rapaz, porque a gente só acompanhava pelas mídias. E eu nunca tive esse acesso até o Raphinha ter. Então, quando ele chega à Seleção, o Neymar acolhe, abraça. Foi muito receptivo, até mesmo conosco, com a família. Foi lindo de ver. Eu realmente não esperava”.
A Copa de 2026 oferece a chance de fechar este ciclo de conquistas. A 11 que foi de Ronaldinho. A 11 que abriu as portas da Seleção para Neymar. A 11 que agora é de Raphinha, referência de um Brasil que precisa retomar os dias de protagonismo no futebol mundial. Um sonho de garoto que pode se tornar realidade em algumas semanas.
“São coisas que a gente via só no álbum de figurinhas, tão distante. Os amigos dele falam assim pra mim: ‘Tia, a gente está jogando com o Raphinha no game”.
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